
Introdução
A aromaterapia, a massagem e a reflexologia são amplamente utilizadas como terapias complementares em contextos de cuidados paliativos para ajudar a controlar sintomas como ansiedade, dor e melhorar a qualidade de vida. No entanto, ainda existem questões sobre a sua eficácia clínica e adequação para inclusão em orientações oficiais de saúde. Este artigo resume as conclusões de uma revisão sistemática que avaliou a eficácia destas terapias em pessoas em cuidados paliativos
Metodologia
Foi realizada uma pesquisa abrangente em oito bases de dados e três registos de ensaios clínicos até junho de 2018, identificando 22 ensaios com um total de 1.956 participantes. Estes ensaios compararam a aromaterapia, a massagem e a reflexologia com os cuidados habituais, outra terapia ou um grupo de controlo ativo. A revisão seguiu padrões internacionais, incluindo as diretrizes da Cochrane, para avaliar a qualidade e o risco de viés nos estudos.
Principais Conclusões
- Aromaterapia: Quatro ensaios avaliaram a aromaterapia, mas as evidências sobre a sua eficácia na redução da ansiedade, dor ou melhoria da qualidade de vida foram inconclusivas. Os estudos apresentaram metodologias e tamanhos de amostra variados, dificultando a obtenção de conclusões sólidas.
- Massagem: Oito ensaios focaram na terapia de massagem. De igual modo, as evidências sobre os seus benefícios na ansiedade, dor ou qualidade de vida não foram definitivas. Alguns ensaios relataram uma ligeira redução na ansiedade e na dor, mas as evidências globais foram mistas devido à heterogeneidade dos estudos.
- Reflexologia: Seis ensaios examinaram a reflexologia. Houve algumas evidências que sugerem que a reflexologia pode reduzir a dor em comparação com um controlo ativo, mas a qualidade dessas evidências foi considerada baixa devido aos pequenos tamanhos de amostra e aos diferentes desenhos dos estudos.
- Terapias Combinadas: Quatro ensaios compararam a massagem com a aromaterapia. Não foram encontradas diferenças significativas entre as duas terapias em termos de resultados de ansiedade, dor ou qualidade de vida.
Conclusões
A revisão identificou uma quantidade significativa de investigação, mas as evidências foram inconsistentes e frequentemente de baixa qualidade, com muitos ensaios a apresentarem tamanhos de amostra reduzidos e limitações metodológicas. Devido a estes fatores, a revisão não pôde fazer recomendações definitivas para o uso clínico destas terapias nos cuidados paliativos. No entanto, não foi encontrada evidência de danos causados por estas terapias, sugerindo que podem continuar a ter um papel em abordagens de cuidados holísticos até que mais pesquisas robustas sejam realizadas.
Implicações para a Prática e Investigação Futura
Embora a aromaterapia, a massagem e a reflexologia sejam populares entre os pacientes e frequentemente percebidas como benéficas, a sua eficácia clínica permanece incerta. É necessária mais investigação de alta qualidade para estabelecer o seu papel nos cuidados paliativos, incluindo estudos que captem melhor os aspetos do cuidado mais valorizados pelos pacientes, como o relaxamento e a relação terapêutica com o profissional. Além disso, futuros estudos devem usar medidas de resultado padronizadas para melhorar a comparabilidade e a fiabilidade.
Em Suma
A revisão sistemática sublinha a necessidade de mais investigação rigorosa para determinar a eficácia da aromaterapia, massagem e reflexologia em contextos de cuidados paliativos. Até lá, estas terapias podem continuar a ser oferecidas como parte de uma abordagem de cuidado holístico, reconhecendo o valor que os pacientes lhes atribuem, mesmo na ausência de evidências sólidas de eficácia clínica.
